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Os pesquisadores criam um mapa de vida potencial não descoberta


Menos de uma década depois de revelar o “Mapa da Vida”, um banco de dados global que marca a distribuição de espécies conhecidas em todo o planeta, os pesquisadores de Yale lançaram um projeto ainda mais ambicioso e talvez importante: criar um mapa dos lugares onde a vida ainda para ser descoberto.

Para Walter Jetz, professor de ecologia e biologia evolutiva em Yale que liderou o projeto Mapa da Vida, o novo esforço é um imperativo moral que pode ajudar a apoiar a descoberta e preservação da biodiversidade em todo o mundo.

“No ritmo atual de mudança ambiental global, não há dúvida de que muitas espécies serão extintas antes de sabermos de sua existência e ter a chance de considerar seu destino”, disse Jetz. “Sinto que tal ignorância é imperdoável e devemos às gerações futuras fechar rapidamente essas lacunas de conhecimento.”

O novo mapa de espécies desconhecidas foi publicado no dia 22 de março na revista Ecologia e evolução da natureza.

O autor principal, Mario Moura, ex-associado de pós-doutorado em Yale no laboratório de Jetz e agora professor da Universidade Federal da Paraíba, disse que o novo estudo muda o foco para questões como “Quantas espécies não descobertas existem?” a outros mais aplicados, como “Onde e o quê?”

“As espécies conhecidas são as ‘unidades de trabalho’ em muitas abordagens de conservação, por isso as espécies desconhecidas são geralmente deixadas de fora do planeamento, gestão e tomada de decisões de conservação,” disse Moura. “Encontrar as peças que faltam no quebra-cabeça da biodiversidade da Terra é, portanto, crucial para melhorar a conservação da biodiversidade em todo o mundo.”

De acordo com estimativas científicas conservadoras, apenas 10 a 20 por cento das espécies na Terra foram formalmente descritas. Em um esforço para ajudar a encontrar algumas dessas espécies perdidas, Moura e Jetz coletaram dados abrangentes que incluíram a localização, distribuição geográfica, datas de descobertas históricas e outras características ambientais e biológicas de cerca de 32.000 vertebrados terrestres conhecidos. A análise permitiu-lhes extrapolar onde e quais tipos de espécies desconhecidas dos quatro principais grupos de vertebrados ainda não foram identificados.

Eles analisaram 11 fatores-chave que permitiram à equipe prever melhor onde as espécies desconhecidas podem estar localizadas. Por exemplo, é mais provável que animais de grande porte com ampla distribuição geográfica já tenham sido descobertos em áreas povoadas. É provável que novas descobertas dessas espécies sejam raras no futuro. No entanto, animais de menor porte que vivem em regiões mais inacessíveis têm maior probabilidade de ter evitado a detecção até agora.

“As chances de serem descobertos e descritos precocemente não são iguais entre as espécies”, disse Moura. Por exemplo, o emu, um grande pássaro da Austrália, foi descoberto em 1790, logo após o início das descrições taxonômicas das espécies. No entanto, a pequena e esquiva espécie de sapo Brachycephalus guarani não foi descoberta no Brasil até 2012, sugerindo que mais anfíbios desse tipo ainda não foram encontrados.

Moura e Jetz mostram que as chances de novas espécies serem descobertas variam muito em todo o mundo. Sua análise sugere que Brasil, Indonésia, Madagascar e Colômbia têm as maiores oportunidades de identificar novas espécies em geral, com um quarto de todas as descobertas potenciais. As espécies não identificadas de anfíbios e répteis têm maior probabilidade de aparecer nas regiões Neotropicais e nas florestas Indo-Malaias.

Moura e Jetz também se concentraram em outra variável-chave na descoberta de espécies perdidas: o número de taxonomistas procurando por elas.

“Temos a tendência de descobrir primeiro o ‘óbvio’ e depois o ‘escuro’”, disse Moura. “Precisamos de mais financiamento para que os taxonomistas encontrem as espécies ainda não descobertas.”

Mas a distribuição global de taxonomistas é altamente desigual e um mapa da vida não descoberto pode ajudar a concentrar novos esforços, observou Jetz. Esse trabalho se tornará cada vez mais importante à medida que as nações ao redor do mundo se reúnem para negociar uma nova Estrutura de Biodiversidade Global sob a Convenção sobre Diversidade Biológica ainda este ano e se comprometerem a deter a perda de biodiversidade.

“Uma distribuição mais uniforme dos recursos taxonômicos pode acelerar a descoberta de espécies e limitar o número de extinções ‘para sempre desconhecidas'”, disse Jetz.

Com parceiros em todo o mundo, Jetz e seus colegas planejam expandir seu mapa de vida não descoberta para espécies vegetais, marinhas e invertebradas nos próximos anos. Essas informações ajudarão governos e instituições científicas a decidir onde concentrar os esforços para documentar e preservar a biodiversidade, disse Jetz.

Este trabalho foi produzido, em parte, com o apoio da National Geographic Society por meio de uma parceria com a E.O. Fundação Wilson para a Biodiversidade.

Mapa interativo: https://mol.org/patterns/discovery

Fonte da história:

Materiais fornecido por Universidade de Yale. Original escrito por Bill Hathaway. Nota: o conteúdo pode ser editado quanto ao estilo e comprimento.


Traduzido de Science Daily

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